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O DILEMA DO HOMEM GREGO

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Não era comum que os homens experimentassem a profunda satisfação que Péricles encontrou na companhia  de Aspásia. Por mais apaixonados que estivessem por uma hetaira, eram tomados de  uma estranha emoção. O relacionamento tinha caráter excessivamente comercial. Para ter todo o luxo e conforto, uma hetaira precisava ser sustentada por vários amantes. Numerosos escritores relataram episódios de amantes que foram reduzidos à miséria e depois  postos à margem; e também episódios de homem que esbanjaram cegamente as suas riquezas, além da reputação, em benefícios de hetairas insaciáveis. 
Hunt nos fala de outra questão. Era clara  a ambivalência dos homens gregos em relação as hetairas. Embora eles estivessem à procura de uma nova forma de relação amorosa com as mulheres, viam-se profundamente influenciados e limitados pela herança cultural da misoginia. Eram capazes de amar o amor, de maneira completa, mas só parcialmente amavam as mulheres consideradas como pessoas. Os homens falavam de …

O AMOR ENTRE PÉRICLES E ASPÁSIA

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O período compreendido entre os anos de 461 a.C. e 429 a.C. é considerado a "Idade de Ouro" de Atenas, quando a cidade viveu o seu auge econômico, militar, político e cultural. Nesse período, Atenas foi governada por Péricles (495 a 429), a maior personalidade política do século V a.C. Sob sua liderança, Atenas tornou-se a cidade mais importante da Grécia, um centro de cultura, arte, literatura, filosofia e ciências.

Dispondo de parte do tesouro da cidade, o líder político dessa pólis decidiu reconstruir os templos destruídos pelos persas e erigiu nossas estruturas, entre as quais se destacam o Partenon e outros edifícios das Acrópole. Durante seu governo, Atenas alcançou tamanho apogeu e o século em que viveu foi chamado de "século de Péricles."

Nessa época, a cidade era hereditária, mas apenas se ambos os pais fossem atenienses e da classe cidadã. Em 451-450 a.C., sob as leis instituídas por Péricles, os cidadãos tinham que se casar com mulheres cujos pais fossem n…

Os EFEBOS

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A efeba - relação homossexual grega báscia - se dava entre um homem mais velho e um jovem. O jovem tinha qualidades masculinas: forças, velocidade, habilidade, resistência e beleza. O mais velho possuía experiência, sabedoria e comando. O efebo - púbere - entregue a um tutor se transformava em cidadão grego. Era treinado, educado e protegido. Ambos desenvolviam paixão mútua, mas sabiam dominar essa atração. Esse controle era a base do sistema de efebia. Havia sexo, mas quando o efebo crescia e se tornava um cidadão grego, deixava de ser o amante-pupilo e tornava-se amigo do tutor; casava-se, tinha filhos e buscava seus próprios efebos. 



Como viviam as hetairas

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A hetaira morava, geralmente, em casa própria, e recebia os administradores e amantes em sua residência. Permitia que certo número de admiradores lhe fizesse a corte; podia também, durante algum tempo, tornar-se companheira exclusiva de determinado homem. Suas roupas, seus cabelos e sua maquiagem eram elegantes; a mesa se apresentava artisticamente posta; sua residência integrava beleza e refúgio, e era um lugar onde um homem podia passar o tempo agradavelmente.

A hetaira era cativante e complexa, estava numa posição muito superior à da esposa ateniense. "A literatura grega desse período refere-se muitas vezes à hetaira como se ela fosse uma verdadeira amiga, uma nobre companheira, uma mulher de caráter de ouro, muito superior à mulher virtuosa.
Como o poeta Filitero observou: "Não admira que haja um altar erguido à Companheira por toda parte, mas em nenhum lugar, em toda a Grécia, há se quer um altar erguido à Esposa."

AS HETAIRAS

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Após tempos homéricos, em que as pequenas tribos foram evoluindo e se transformando em cidades-Estado imperialistas, os antigos vínculos de clã se deterioram. A Grécia precisou reorganizar as ligações afetivas, desviadas na direção dos indivíduos. As pessoas gregas, ligadas ao lar, satisfaziam suas necessidades emocionais cuidando dos filhos.

Os homens gregos buscavam pessoas para desenvolver um novo tipo de relação. As esposas eram totalmente ignorantes e nada sabiam sobre a vida de Atenas. "Os homens gregos se mostravam desejos de fazer experiências com uma ordem nova e mais intensa de relações com as mulheres, descias com uma ordem noca e mais intensa de relações com as mulheres, desde que encontrassem algumas que lhes oferecessem tanto satisfação para o corpo como entretenimento para o espírito.

Se as mulheres de Atenas, intelectuais, cultas e amorosas, desejassem conversar com homens a respeito de coisas importantes, tornavam-se hetairas - cortesãs de alto nível. Apesar das in…

AS CONCUBINAS

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A esposa estéril ou que não tivesse gerado meninos e da qual o marido não quisesse se divorciar - para não ter que devolver o dote - podia recorrer ao concubinato com solução. O costume do concubinato conservou-se até o século XX na Grécia e em algumas nações do Oriente mantém-se até hoje. O objetivo do concubinato era a procriação incentivada pelo Estado, caso a legítima esposa fosse estéril ou gerasse apenas meninas. Em Atenas, durante a Guerra do Peloponeso, no século V a.C., cidadãos atenienses casados foram encorajados a ter uma concubina, mesmo estrangeira, para aumentar o número de nascimentos e compensar as perdas na guerra.

As concubinas eram mulheres livres ou metecas e, raramente, escravas.
Os metecos era imigrantes e, como tal, desprovidos de direitos civis e políticos; a partir de 451 a.C., não podiam se casar com atenienses, fossem homens ou mulheres. O concubinato era saída para as mulheres estrangeiras. As atenienses recorriam ao concubinato em caso de extrema pobreza, p…

OS HOMENS FORA DO LAR

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O papel tão insignificante das esposas criou uma hierarquia complexa de amantes. Havia as prostitutas, as concubinas, as hetairas e os efebos.

AS PROSTITUTAS

O legislador Sólon (639-559 a.C.) estabeleceu bordéis em Atenas com a intenção de prevenir que jovens que atingiram a idade adulta cometessem adultério com mulheres respeitáveis. A prostituição inconsequente e descontrolada chegava ao fim. "Você fez bem a todos os homens oh Sólon!" - exultou o poeta. - "Você viu que o Estado estava cheio de homens jovens, e que andando ao léu, na sua concupiscência, por lugares que não tinham nada a fazer, compraram mulheres; em alguns lugares substituíam-nas, prontos para servir a todos os que aparecessem." Sólon, com o dinheiro obtido pela tributação dos primeiros prostíbulos, construiu um templo dedicado a Afrodite Pandemia, a deusa que velava pela prostituição .
Por volta do século IV a.C. as jovens passaram a se enfileiradas fora das casas, com o seios nus e trajando finas g…

O que as mulheres sentiam?

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A História é escrita pelos vitoriosos, e nessa guerra entre homens e mulheres não é diferente. Não há livros sobre o amor escrito pelas esposas gregas. O máximo que se pode fazer é colher dados das tragédias de Sófocles e Eurípedes, e nas comédias, e nas comédias de Aristófanes. "Mas isso não provaria nada; toda literatura foi escrita por homens e, principalmente, para homens. O produto não seria propriamente uma reprodução das atitudes da esposa grega; seria uma ficção do espírito grego masculino; uma imaginária megera criada pelo homem para justificar sua própria atitude hostil e opressora, com a mulher."

A esposa ateniense só tinha contato com seu marido. Ele era seu senhor, pai dos seus filhos e provedor do lar. É comum, apesar do ódio pelos opressores, pessoas desenvolverem um tipo de afeto por eles. Podemos imaginar então que a esposa grega tenha sentido uma espécie de amor pelo marido, embora esse sentimento possa não ter nada a ver com o que chamamos hoje de amor.

Entr…