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O que as mulheres sentiam?

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A História é escrita pelos vitoriosos, e nessa guerra entre homens e mulheres não é diferente. Não há livros sobre o amor escrito pelas esposas gregas. O máximo que se pode fazer é colher dados das tragédias de Sófocles e Eurípedes, e nas comédias, e nas comédias de Aristófanes. "Mas isso não provaria nada; toda literatura foi escrita por homens e, principalmente, para homens. O produto não seria propriamente uma reprodução das atitudes da esposa grega; seria uma ficção do espírito grego masculino; uma imaginária megera criada pelo homem para justificar sua própria atitude hostil e opressora, com a mulher."

A esposa ateniense só tinha contato com seu marido. Ele era seu senhor, pai dos seus filhos e provedor do lar. É comum, apesar do ódio pelos opressores, pessoas desenvolverem um tipo de afeto por eles. Podemos imaginar então que a esposa grega tenha sentido uma espécie de amor pelo marido, embora esse sentimento possa não ter nada a ver com o que chamamos hoje de amor.

Entr…

O Sexo


Os homens não costumavam fazer mais sexo com a esposa se considerassem o número de descendentes suficiente. A completa submissão da mulher tornava impróprias práticas como sexo oral, em que o homem proporciona prazer à mulher. Da mesma forma o homem não podia receber esse prazer, pois permanecer passivo era uma atitude inaceitável.

A comédia grega, apesar de exagerada, mostrava aspectos da relação conjugal. Em Lisístrata, de 411 a.C., Aristófanes mostra a esposa que recusa o sexo ao marido, numa estranha comédia política. Provavelmente, o fato de não ter herdeiros apavorava o homem. "Quando Lisístrata e suas irmãs decidem se opor ao jeito guerreiro de ser dos homens, simplesmente negando-se a ir para a cama com eles, há comoção na sociedade grega. Pelo menos neste momento, o poder da cama provou ser mais forte do que o poder da espada. Com seus comentários obscenos, a peça parece tão atual quando o slogan dos anos 1960: "Faça amor, não faça guerra".

O sexo no casamento devia ser profundamente insatisfatório para marido e mulher. Os homens viviam outras experiências abertamente, mas mulheres buscavam paliativos discretos. Nem sempre as esposas negligenciadas se queixavam. Algumas conseguiam consolo com a ajuda de alcoviteiras profissionais. Mas a maioria parece ter recorrido aos expedientes menos arriscados da masturbação ou da homossexualidade.


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