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A pobreza do casamento da Grécia Clássica e a repulsa ao casamento.

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"O casamento proporciona ao homem apenas dois dias felizes: o dia em que ele conduz a noiva para a cama e o dia em que ele a deposita no túmulo". Essa é a síntese do que pensavam os homens na Grécia Clássica, há 2.500 anos sobre a união com uma mulher.

Era comum que as esposas fossem de dez a vinte anos mais jovens do que os maridos. Como elas eram excluídas de quase todas as atividades fora de casa, raramente estavam junto deles. Os maridos ficavam pouco tempo em casa; passavam grande parte do dia e da noite nos mercados, nas praças nos ginásios e bordéis. O casamento tinha como finalidade apenas o aumento da prole e os cuidados com o lar.

REPULSA AO CASAMENTO

A posição que a mulher tinha na sociedade ateniense foi assim resumida por Demóstenes: "Tememos as hetairas para o prazer, as concubinas para os nossos cuidados diários, e as esposas para a procriação de herdeiros legítimos e para cuidar do lar". Riane Eisler assinala que essa visão das mulheres, como colocadas…

O MACHÃO E O SEXO


Homens e mulheres foram inibidos na sua capacidade para o prazer sexual.
As mulheres tiveram sua sexualidade reprimida e distorcida, a ponto de até hoje muitas serem incapazes de se expressar sexualmente, muito menos atingir orgasmo. Os homens, por sua vez, também tiveram a sexualidade bloqueada. A preocupação em não perder a ereção é tanta que fazem um sexo apressado, com o único objetivo de ejacular. A mulher acaba se adaptando ao seu estilo imposto pelo homem, principalmente por temer desagradá-lo. Resultado? Nenhum dos dois usufrui do prazer que um bom sexo proporciona.
➤Brenda, professora de 32 anos, se separou do marido após oito anos de relação. Agora, solteira, estava decidida a viver um sexo intenso, de muita entrega, o que não ocorria no casamento. Conheceu Luiz, e numa das primeiras saídas foram para um motel. Voltou desanimada. "Logo depois que ele gozou, esqueceu que eu existia. Em vez de se ligar em mim, ficou um tempão contemplando a camisinha com seu sêmen....Olhava orgulhoso, e ficava falando sozinho, elogiando a quantidade de sêmen....Me senti péssima.....se pudesse, teria largado ele lá e ido embora."

➤É difícil de acreditar, mas a sexualidade típica do machão é assim mesmo: impessoal, estereotipada, limitada. Cumprir o papel de machão é o principal objetivo. Trocar afeto e prazer com a parceira é secundário. Importante mesmo é o pênis ficar ereto, bem rígido e ejacular bastante. A mulher, para tal homem, só é interessante como meio de lhe proporcionar esse prazer que na realidade, não tem nada a ver com prazer sexual.
➤Durante muito tempo a visão que se teve da mulher, e na qual ela também acreditou, era assim: frágil, desamparada, necessitando desesperadamente encontrar um homem que lhe desse amor e proteção e, mais do que tudo, um significado à sua vida. Mas quando começou o movimento de emancipação feminina, os homens ainda acreditavam que não tinham nada do que se libertar, desprezando o fato de que o sistema patriarcal oprime ambos ambos os sexos, e estar submetido ao mito da masculinidade não é nada fácil.
➤A maioria dos homens ainda perseguem o ideal masculino - força, sucesso, poder -, mas eles têm as
mesmas necessidades psicológicas das mulheres: amar e serem amados, comunicar emoções e sentimentos. A questão é que desde de criança são ensinados a desprezar as emoções delicadas e a controlar os sentimentos. Demonstrar ternura, se entregar relaxado à troca de prazer sexual com a parceira, é difícil; perder o controle ou falhar é uma ameaça constante. 
➤O processo de socialização que transforma os meninos em homens "machos" impede a espontaneidade na relação com as mulheres. É impossível ser amoroso quando se é "travado" emocionalmente.
➤Nos papos com amigos eles aprendem a contar vantagens, suas conquistas sexuais e detalhes. Se os fatos correspondem ou não à realidade é o que menos importa. O sexo passa a ser um esporte, um jogo, em que se disputa a dominação da mulher. Esse roteiro "homem-caçador"/"mulher" presa causa sérios prejuízos à sexualidade masculina. Os homens são levados a organizar sua energia e percepção em torno do desempenho, e assim, se transforma em máquinas de fazer sexo, preocupados apenas em "marcar pontos" e ter ereções.
apesar das aparências em contrário, na vida adulta a sexualidade masculina continua sendo uma experiência ansiosa e limitada. Poucos homens conseguem conhecer a intimidade emocional com a mulher, em vez de somente a sexual. Além disso, os estereótipos tradicionais de masculinidade nas memórias de Casanova isso fica claro. A motivação primeira não é a ela, sendo as conquistas admiradas e invejadas por outros homens.
➤Pesquisas mostram que os homens que definem as relações humanas em termos de papéis rígidos "masculino-superior" e "feminino-inferior", assim como os que definem sua identidade masculina em termos de controle, violência e repressão dos afetos, apresentam, em muitos casos, um quadro de deterioração da sexualidade. Um estudo, na década de 1970, sobre extremistas políticos alemães da direita e da esquerda - inclusive membros do grupo terrorista alemão de esquerda Baarder-Meinhof -, constatou que esses homens apresentavam problemas de disfunção sexual, inclusive incapacidade de atingir orgasmo.
➤Num outro estudo, sobre a recusa das mulheres em continuar subordinadas, concluiu-se que apenas 5 a 10% dos homens chegam perto de aceitar as mulheres iguais, enquanto os demais expressam seus sentimentos de raiva, medo e inveja por meio de uma hostilidade evidente ou dissimulada. E o que os homens consideram mais ameaçador nas mulheres foi a combinação de competência e sexualidade.
➤É inegável que a masculinidade está em crise. Nos últimos quarenta anos foi constatado nos homens o aumento da depressão psicológica e em vários países registram-se doenças do homem esgotado. Todo o esforço exigido para ser considerados
"homens de verdade" provoca angústia, medo do fracasso e dificuldade afetivas. Mas como resolver o impasse entre a proibição social de expressar sentimentos considerados femininos e a crítica cada vez mais acirrada ao homem machista? Como os homens podem recuperar sua autonomia?
➤Talvez o jeito seja se unir às mulheres e, examinando o mito da masculinidade, pensar em sua própria saída do patriarcado, repudiando essa masculinidade como natural e desejável. Nem todos, aceitam o roteiro macho e cada vez mais homens, em todo o mundo, tomam consciência da desvantagem desse papel e empreendem e desconstrução e a reconstrução da masculinidade.
➤Quem sabe se dessa forma as relações afetivas e sexuais não se tornam mais plena? Talvez o sexo insensível, considerado viril, passe a ser coisa do passado, e ninguém mais veja graça na anedota que diz que nenhum dos parceiros sente prazer na primeira experiência sexual, mas que o menino atinge o orgasmo no dia seguinte.....quando conta a seus amigos.

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