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O MACHÃO E O SEXO


Homens e mulheres foram inibidos na sua capacidade para o prazer sexual.
As mulheres tiveram sua sexualidade reprimida e distorcida, a ponto de até hoje muitas serem incapazes de se expressar sexualmente, muito menos atingir orgasmo. Os homens, por sua vez, também tiveram a sexualidade bloqueada. A preocupação em não perder a ereção é tanta que fazem um sexo apressado, com o único objetivo de ejacular. A mulher acaba se adaptando ao seu estilo imposto pelo homem, principalmente por temer desagradá-lo. Resultado? Nenhum dos dois usufrui do prazer que um bom sexo proporciona.
➤Brenda, professora de 32 anos, se separou do marido após oito anos de relação. Agora, solteira, estava decidida a viver um sexo intenso, de muita entrega, o que não ocorria no casamento. Conheceu Luiz, e numa das primeiras saídas foram para um motel. Voltou desanimada. "Logo depois que ele gozou, esqueceu que eu existia. Em vez de se ligar em mim, ficou um tempão contemplando a camisinha com seu sêmen....Olhava orgulhoso, e ficava falando sozinho, elogiando a quantidade de sêmen....Me senti péssima.....se pudesse, teria largado ele lá e ido embora."

➤É difícil de acreditar, mas a sexualidade típica do machão é assim mesmo: impessoal, estereotipada, limitada. Cumprir o papel de machão é o principal objetivo. Trocar afeto e prazer com a parceira é secundário. Importante mesmo é o pênis ficar ereto, bem rígido e ejacular bastante. A mulher, para tal homem, só é interessante como meio de lhe proporcionar esse prazer que na realidade, não tem nada a ver com prazer sexual.
➤Durante muito tempo a visão que se teve da mulher, e na qual ela também acreditou, era assim: frágil, desamparada, necessitando desesperadamente encontrar um homem que lhe desse amor e proteção e, mais do que tudo, um significado à sua vida. Mas quando começou o movimento de emancipação feminina, os homens ainda acreditavam que não tinham nada do que se libertar, desprezando o fato de que o sistema patriarcal oprime ambos ambos os sexos, e estar submetido ao mito da masculinidade não é nada fácil.
➤A maioria dos homens ainda perseguem o ideal masculino - força, sucesso, poder -, mas eles têm as
mesmas necessidades psicológicas das mulheres: amar e serem amados, comunicar emoções e sentimentos. A questão é que desde de criança são ensinados a desprezar as emoções delicadas e a controlar os sentimentos. Demonstrar ternura, se entregar relaxado à troca de prazer sexual com a parceira, é difícil; perder o controle ou falhar é uma ameaça constante. 
➤O processo de socialização que transforma os meninos em homens "machos" impede a espontaneidade na relação com as mulheres. É impossível ser amoroso quando se é "travado" emocionalmente.
➤Nos papos com amigos eles aprendem a contar vantagens, suas conquistas sexuais e detalhes. Se os fatos correspondem ou não à realidade é o que menos importa. O sexo passa a ser um esporte, um jogo, em que se disputa a dominação da mulher. Esse roteiro "homem-caçador"/"mulher" presa causa sérios prejuízos à sexualidade masculina. Os homens são levados a organizar sua energia e percepção em torno do desempenho, e assim, se transforma em máquinas de fazer sexo, preocupados apenas em "marcar pontos" e ter ereções.
apesar das aparências em contrário, na vida adulta a sexualidade masculina continua sendo uma experiência ansiosa e limitada. Poucos homens conseguem conhecer a intimidade emocional com a mulher, em vez de somente a sexual. Além disso, os estereótipos tradicionais de masculinidade nas memórias de Casanova isso fica claro. A motivação primeira não é a ela, sendo as conquistas admiradas e invejadas por outros homens.
➤Pesquisas mostram que os homens que definem as relações humanas em termos de papéis rígidos "masculino-superior" e "feminino-inferior", assim como os que definem sua identidade masculina em termos de controle, violência e repressão dos afetos, apresentam, em muitos casos, um quadro de deterioração da sexualidade. Um estudo, na década de 1970, sobre extremistas políticos alemães da direita e da esquerda - inclusive membros do grupo terrorista alemão de esquerda Baarder-Meinhof -, constatou que esses homens apresentavam problemas de disfunção sexual, inclusive incapacidade de atingir orgasmo.
➤Num outro estudo, sobre a recusa das mulheres em continuar subordinadas, concluiu-se que apenas 5 a 10% dos homens chegam perto de aceitar as mulheres iguais, enquanto os demais expressam seus sentimentos de raiva, medo e inveja por meio de uma hostilidade evidente ou dissimulada. E o que os homens consideram mais ameaçador nas mulheres foi a combinação de competência e sexualidade.
➤É inegável que a masculinidade está em crise. Nos últimos quarenta anos foi constatado nos homens o aumento da depressão psicológica e em vários países registram-se doenças do homem esgotado. Todo o esforço exigido para ser considerados
"homens de verdade" provoca angústia, medo do fracasso e dificuldade afetivas. Mas como resolver o impasse entre a proibição social de expressar sentimentos considerados femininos e a crítica cada vez mais acirrada ao homem machista? Como os homens podem recuperar sua autonomia?
➤Talvez o jeito seja se unir às mulheres e, examinando o mito da masculinidade, pensar em sua própria saída do patriarcado, repudiando essa masculinidade como natural e desejável. Nem todos, aceitam o roteiro macho e cada vez mais homens, em todo o mundo, tomam consciência da desvantagem desse papel e empreendem e desconstrução e a reconstrução da masculinidade.
➤Quem sabe se dessa forma as relações afetivas e sexuais não se tornam mais plena? Talvez o sexo insensível, considerado viril, passe a ser coisa do passado, e ninguém mais veja graça na anedota que diz que nenhum dos parceiros sente prazer na primeira experiência sexual, mas que o menino atinge o orgasmo no dia seguinte.....quando conta a seus amigos.

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