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O DOTE

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O casamento era arranjado de propriedades - negócios financeiras, com muito pouco consideração em relação aos sentimentos dos noivos. Uma parte inseparável do acordo nupcial era o dote. Uma família de classe média ou alta, com um filho na idade de casar, procuraria uma nora com um dote suficiente para sustentar o jovem casal. Além da promessa oficial firmada por ambas as partes, o dote que os pais da noiva dariam ao noivo era visto como uma espécie de indenização pelo de sua filha vir a ser sustentada pelo marido.

Esse costume tinha dois objetivos: atrair e desestimular. Por um lado, atraía pretendentes ao proporcionar uma oportunidade para ampliarem sua propriedade pessoal e, simultaneamente, multiplicava as chances de a mulher se casar e subir de posição na escala social. Por outro lado, desestimulava os divórcios, pois, neste caso, o dote retornava à família da mulher.
O costume tinha tanta importância que o próprio Estado providenciava o dote para as filhas de cidadãos pobres. Uma l…

A mulher pode ser feminina e ao mesmo tempo ser autônoma?


"A mulher pode ser feminina e ao mesmo tempo ser autônoma?" Fiz essa pergunta para mais de cem pessoas, homens e mulheres com idades entre 20 e 55 anos. As respostas foram instantâneas e veementes: claro, lógico, óbvio. Em seguida coloquei a segunda questão: O que é uma mulher feminina? O comportamento de todos foi semelhante. Silêncio por algum tempo, como se tivessem sido pegos de surpresa. Hesitantes e confusas, as pessoas tentavam explicar. Reunindo todas as respostas, surgiu o perfil da mulher, feminina: delicada, frágil, sensível, cheirosa, dependente, pouco competitiva, se emociona à toa, chora com facilidade, indecisa, pouco ousada, recatada. Concluí, então, que a mulher considerada feminina é uma mulher estereotipada. Por isso, uma mulher não pode ser autônoma e feminina ao mesmo tempo. Autonomia implica ser você mesma. sem negar ou repudiar aspectos de sua personalidade para se submeter às exigências sociais. Mas isso não é uma tarefa fácil.

A primeira pergunta feita ao saber que um casal vai ter um filho é sobre o sexo da criança. Mesmo antes do nascimento o papel social que ela deverá desempenhar está claramente definido: masculino ou feminino. Os padrões de comportamento são distintos e determinados para cada um dos sexos. Os meninos são representados com carrinhos, revólveres e bolas, enquanto as meninas recebem bonecas, panelinhas e mamadeiras. E isso é só o início. A expectativa da sociedade é de que as pessoas cumpram seu papel sexual, que sofre variações de acordo com a época e o lugar. Até algumas décadas atrás, não se admita que um homem usasse cabelo comprido e muito menos brinco. Eram coisas femininas. As mulheres, por sua vez, não sonhavam usar calças, nem dirigir automóveis. Era masculino.

Na realidade, a diferença entre os sexos é anatômica e fisiológica, o resto é produto de cada cultura ou grupo social. Tanto o homem como a mulher podem ser fortes e fracos, corajosos e medrosos, agressivos e dóceis, passivos e ativos, independente do sexo. Insistir em manter os conceitos de feminino e masculino é prejudicial a ambos os sexos por limitar as pessoas, aprisionando-as a estereótipos.  

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